Baseado na obra “The Smartest Guys in the room” de Bethany McLean e Peter Elkind. O documentário “Enron: O mais espertos da sala” concorreu ao Oscar de melhor documentário em 2006, perdeu para “A Marcha dos Pinguins”.
O caso Enron, ocorrido nos
Estados Unidos entre 1990 e o início do século XXI. Utilizando-se de
esquemas fraudulentos em sua contabilidade que inflavam o potencial da empresa
e de seus projetos nos Estados Unidos e em outros países, dando a ela visibilidade
pública grandiosa a ponto de torná-la a mais rentável entre todas as
possibilidades de investimento nas bolsas de valores nos EUA, a Enron se tornou
um colosso de crescimento.
Poucas eram as pessoas que
sabiam da alteração dos balancetes da empresa e das negociatas políticas em que
a empresa estava envolvida. Seus principais executivos tornaram-se num curto
espaço de tempo celebridades do mundo executivo local. A lucratividade da
instituição foi tão grande que surgiram vários interessados em associarem-se a
ela em projetos nas mais diferentes regiões do planeta.
Planos fracassados nas mãos
de outras empresas foram comprados pela Enron e logo se tornaram lucrativos
projetos. Ninguém conseguia entender ao certo, mas a mídia escrita, televisiva,
radiofônica e mesmo a internet não paravam de destacar o sucesso da Enron,
alardeando que a empresa representava tudo o que havia de mais moderno e
qualificado em termos de moderna gestão de empreendimentos.
Estavam sendo ludibriados o
tempo todo. E aqueles poucos que levantavam suspeitas a respeito do sucesso da
Enron logo eram chamados de invejosos e de arautos do fracasso.
O documentário passa pela
formação da companhia texana de energia nos anos 80 e perfil dos envolvidos
para entender nascimento da mesma e como se tornaria uma ilusão de sucesso. O
segredo estava na desregulamentação da indústria. Esse termo é usado pelos
defensores do mercado como um mantra - significa que o Estado não interferirá
com normas e restrições no livre-comércio. No caso da Califórnia, por exemplo,
revendedores de energia, como a Enron, poderiam elevar o preço como quisessem,
enquanto as distribuidoras, aquelas que lidam direto com o consumidor, sofriam
o limite de tarifas imposto pelo governo estadual. O ápice desse desequilíbrio
de regulamentação foi o famoso blecaute de 2001, mas disso falamos depois. O
fato é que a Enron estava no lugar certo, na hora certa, não por acaso - a Era
de Ouro dos neoliberais.
Muitas pessoas estiveram
ligadas a esta história quando a então gigante de revenda de energia e gás, a
maior dos Estados Unidos, entrou em um processo que levou a sua falência a
partir do segundo semestre de 2001. O mundo ficou pasmado. Nos anos 90 poucas
empresas de capital aberto na Bolsa de Valores de Nova York tinham ações tão caras
quanto as da Enron. Seu slogan era “Ask Why” (Pergunte por que), sugerindo que
a companhia não temia ultrapassar fronteiras, quebrar mitos. Acionistas
investiam às cegas, funcionários eram incentivados a aplicar suas poupanças em
ações da casa. Acontece que ninguém questionava o porquê do sucesso da Enron.
Claro que um par de boas
relações era necessário para lubrificar a engrenagem. Ken Lay, o fundador da empresa, tinha relações muito próximas do então presidente George Bush e seu
filho, George Walker Bush, na época governador do Texas. O filme reserva
algumas imagens de arquivo, extraídas de vídeos da própria companhia, para
ilustrar a amizade pretensiosa. Acontece que o grande salto de Lay e seus
executivos (os tais caras geniais, os mais espertos, promissores e ambiciosos
na faculdade) não se deu com mamatas políticas, mas com brechas no próspero
mercado de capitais estadunidense.
O filme de Gibney trata tudo
isso de forma didática. Não escapa do economês, mas consegue ilustrar o caso
para os leigos. A base da pesquisa é sólida, inspira-se no livro dos
jornalistas Bethany McLean e Peter Elkind.
Aspectos Sociais
- Demissão dos empregados da Enron, levando em conta que os mesmo saíram da empresa praticamente sem dinheiro em função da falência;
- Prejuízo a sociedade americana em função dos
blackouts;
- Sentimento de repulsa da população estadunidense.
Aspectos
econômicos:
- Influência da concordata da Enron na crise
econômica americana;
- Manipulação das receitas;
- Fraudes em parceria com Bancos
Estadunidenses, para valorizar as ações da Enron;
Aspecto
Político:
- Envolvimento direto com George W Bush;
- Ken Lay foi instituído ao cargo de embaixador
da desregulamentação, por Bush;
Aspecto Tecnológico:
- A existência de um programa The Matrix nos
computadores da empresa cuja a finalidade era calcular o custo ou o ganho para
a empresa de qualquer mudança nas leis e nos regulamentos do setor que afetasse
seus interesses.

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