Análise da capa do documentário


O desenvolvimento do filme documentário Enron: Os Mais Espertos da Sala baseado no best-seller de 2003, livro de mesmo nome publicado pela Fortune, dos jornalistas Bethany McLean e Peter Elkind, um estudo de um dos maiores escândalos empresariais da história Americana.
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Um pôster feito para o DVD que organiza as imagens em blocos de significado. Mostrando claramente do que se trata o documentário, nas bordas do pôster temos números que do lado direito sobem e do lado esquerdo descem, o que faz referencia a queda das ações da Enron na bolsa de valores. Dentro da arte temos a imagem da logo da Enron que é trazida em tamanho maior dando maior significância, já que a mesma é o principal assunto a ser tratado durante o documentário, mas pode-se perceber que a marca vem como plano de fundo e que a mesma está impressa numa folha de papel picotada – como todos os documentos comprobatórios das irregularidades cometidas pela Enron foram destruídos, informação mostrada durante o próprio filme.
Logo abaixo a frase “The Smartest Guys in the room” (Os Mais Espertos da Sala) introdutória para a foto que vem em seguida, a foto se refere aos protagonistas do escândalo e estes aparecem em ordem de importância, sendo que o destaque é Kenneth Lay, CEO e presidente da Enron, que numa foto extremamente bem escolhida, para a ideia que a capa pretende comunicar, onde o mesmo aparece com um ar de deboche e/ou superioridade.  Lay esteve à frente da organização de 1985 até sua renúncia em 23 de janeiro de 2002. A sua direita está Jeffrey Skilling que por alguns meses em 2000, também foi executivo-chefe (CEO) da Enron. E a sua esquerda Lay tem Andrew Fastow que serviu como diretor financeiro da Enron. Junto da foto dos executivos da empresa temos imagens do parece ser funcionários e acionistas comemorando o que seria o sucesso Enron. Outros elementos são trazidos como não menos importantes para efetivar a comunicação pretendida. Como por exemplo, os referenciais circenses mostrando que a história da Enron se transformou num circo, no sentido de que tudo virou uma trama teatral, onde neste caso, os espectadores (funcionários e sociedade americana) não tem importância para o tecer da trama.


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Análise da Logo da Enron



O significado do logotipo é ajudar o leitor a identificar a organização, para isto a logo da Enron foi desenvolvida a partir da primeira letra do seu próprio nome. Desenvolvida em formato quadrado que traz a associação de honestidade e retidão, a logo da empresa encontra-se inclinada no vértice da última letra que compõe o nome da empresa, isto traz um peso significativo dando a ideia de que a marca pode pender para a esquerda, mas há a sensação de que o nome ENRON a apoia e a sustentará. Mas ainda assim há uma sensação de equilíbrio e estabilidade.
A disposição das cores: vermelho, verde e azul – associação de duas cores primárias e uma secundária - tem o propósito de passar a imagem de uma empresa agressiva, e orgulhosa de si, com vigor para novos desbravamentos e fidelidade e personalidade. O nome completo da empresa estando na cor azul realça a ideia de lealdade, fidelidade, personalidade e visão tecnológica no todo da empresa.
A logo da Enron também se assemelha a uma tomada, por ser uma companhia de energia, algumas charges podem ser encontradas fazendo alusão e este aspecto.
 

Reputação, imagem, estratégias e papel social das Relações Públicas



A Enron durante seus 16 anos de existência, alcançou a posição de sétima maior empresa americana em receita e foi considerada a mais inovadora e admirada durante 6 anos consecutivos, atingindo assim um nível de avaliação, de julgamento popular equivalente ao seu tamanho, enquanto crescia vertiginosamente e alcançava uma grande fatia do mercado americano. A empresa, mais do que conhecida, era respeitada, passava confiança, tinha o reconhecimento da população, e relacionado a este reconhecimento,  impressões e resultados positivos.
Imagem, de acordo com Kotler e Andreasen é a soma de crenças, atitudes e impressões que uma pessoa ou grupo tem de uma organização, uma marca, um produto. É o resultado da percepção, que poderá ser falsa ou verdadeira, imaginada ou real. 
A Enron tinha, então, uma boa imagem corporativa; o conjunto de crenças, atitudes e opiniões que seus públicos tinham acerca da empresa eram favoráveis e positivas.
Um bom relacionamento com seus públicos de interesse, portanto, era mantido da seguinte forma:  investidores – acreditavam nas informações que eram passadas sobre a empresa, acima de qualquer suspeita ou desconfiança. Foi criada uma campanha para conquistar os acionistas, onde os lucros trimestrais da empresa eram apresentados, no intuito de convencer os investidores, encorajá-los a fazer coisas novas, a ousar; governo – dada a relação do presidente da empresa Ken Lay e o presidente norte-americano da época, George Bush; funcionários – que recebiam salários e bônus astronômicos se apresentassem um bom desempenho nas vendas; e clientes e comunidade geral – que em meio a toda essa condição de empresa de sucesso, confiavam no conceito de inovação e ousadia amplamente difundido também através das suas campanhas institucionais.
Esta imagem foi ainda fortalecida pelas mensagens simbólicas passadas pelos representantes da Enron, sobretudo o CEO Jeff Skilling: o antigo “nerd”, comum, que alcançou o sucesso profissional ainda jovem, e se tornou um homem atraente através da mudança de sua aparência e de suas ações. Na tentativa de compensar seu passado, aparentava gostar de aventura, de correr riscos, frequentava eventos esportivos de velocidade, motos, jeeps. E tudo isso, como não havia de ser diferente, era relacionado á sua função na Enron, visto que o alto escalão procurava sempre deixar muito claro que os negócios da empresa eram baseados em riscos, e valorizava essa característica em seus funcionários.
A boa imagem da Enron durante algum tempo deu-se, então, através destes processos de comunicação. O Relações Públicas da empresa, enquanto responsável pelo relacionamento da empresa com seus públicos de interesse já descritos anteriormente, desempenhou bem suas funções administrativas, políticas, estratégicas e mediadoras; cuidando da comunicação organizacional e de toda a rede de relacionamentos da empresa, difundindo informações relevantes na mídia, promovendo eventos (ex.: Prêmio Enron), fazendo com que a marca estivesse ligada a projetos sociais, culturais e esportivos, de modo a garantir a formação de uma imagem corporativa positiva perante toda a sociedade.
Uma empresa desse porte, que chama atenção de todos por sua grandiosidade, viria despertar outros interesses e curiosidade também por um outro lado, o investigativo. Foi ai que a Enron começou a apresentar falhas com um dos seus públicos estratégicos mais importantes: a imprensa. Em uma entrevista à revista Fortune, ao ser questionado sobre como a Enron ganharia dinheiro, o presidente Ken Lay reagiu muito mal, tentou esconder detalhes, alegou não poder dar informações sobre este aspecto e foi grosseiro, chegando até a desrespeitar a jornalista.
A Enron usou a "máscara" do sucesso como estratégia criada pelo Relações Públicas da empresa, optando pela falta de transparência, entretanto um olhar mais atento descobriria esta farsa facilmente. Uma outra falha grave, agora com um representante de um outro público estratégico importante, veio do C.E.O Jeff Skiling, que chamou de “babaca” um investidor que questionou alguns detalhes financeiros da empresa. A equipe de relações públicas aconselhou o C.E.O a se manifestar publicamente e pedir desculpas, mas foi ignorada.
Após isso e uma série de fraudes, documentos falsificados, relações ilegais e escândalos descobertos, a imagem da grande organização foi ficando abalada. A opinião pública - enquanto algo mutável, em constante processo de formação – realmente foi se modificando.
O presidente da Enron ignorou mais uma vez sinais de precaução dado pela ouvidora e continuou “a todo gás”, fazendo novos investimentos, focando em novos mercados (compra da PGE na Califórnia, parceria com a Blockbuster, etc.), o que, apesar de tudo, terminava resultando em altas ações na bolsa de valores. Mas esta situação não durou muito, a Enron passou a oferecer um serviço muito ruim e caro, culminando em blecautes e no decreto de estado de emergência na Califórnia.
A partir daí foram inevitáveis as manifestações populares de revolta, as notícias negativas na mídia, o aparecimento de novas fraudes descobertas, a queda das ações na bolsa de valores, as atitudes questionáveis dos C.E.Os, o suicídio de um dos ex-presidentes, e enfim, a falência absoluta. Consequentemente, o escritório contábil mais antigo dos EUA  (o que atendia a Enron), com a reputação também destruída, caiu junto.
Este case nos mostra a importância da manutenção da imagem, de estar sempre atento ao passado, presente e futuro em busca de uma boa reputação, estar atento a todos os sinais e, sobretudo, não tentar esconder nada dos seus públicos.

O profissional de relações públicas tem a função de fazer com que a empresa exerça um esforço contínuo e coeso para estabelecer uma boa relação com todos os seus públicos, buscando sempre manter sua imagem. Seu papel social é fundamental, na medida que representa a voz da organização junto a sociedade no geral, tendo assim o poder de expôr informações de acordo com seus objetivos. Neste contexto, fica claro percebermos que o ideal é sempre agir corretamente, para que o que seja levado a público represente a realidade.

A Enron é uma prova de que não basta parecer, tem que realmente sê-lo!

 “ A natureza dos povos é variável e, se é fácil persuadi-los de uma coisa, é difícil firmá-los naquela convicção ” 
-Maquiavel
 

Ferramentas de Comunicação utilizadas pela Enron


                         A Enron se utilizava de diversas ferramentas de comunicação dirigida, as quais serviam para decidir como a empresa iria se comportar diante dos seus funcionários e seus públicos ou até mesmo, para esconder suas fraudes nas práticas contábeis:

·         Emissão de relatórios
Com dados falsos para enganar os seus funcionários, estes que acreditavam plenamente na prosperidade e força da empresa de tal forma que para eles todo aquele lucro era real.


·         Por meio de competições de golf e jogos radicais, os CEO'S realizavam reuniões disfarçadas

As reuniões tinham como objetivos apresentar balanço periódico, analisar a posição atual da empresa e expor soluções para possíveis problemas. No caso da empresa Enron, os superiores procuravam, além disso, extrair vantagens daquelas situações;


·         Informes publicitários 

Ferramenta usada para tornar a empresa conhecida ao público, apresentando-se como uma organização de respeito e confiança. Este informe foi utilizado em revistas e jornais de finanças e horários estratégicos na televisão. O objetivo foi alcançado, tanto que, no seu declínio teve repercussão maior, também, devido a visibilidade que a Enron buscou inicialmente, atraindo diversos públicos de interesse.


·         Elaborava eventos institucionais

Por meio disso, fechava negócios com seus investidores. Os eventos institucionais consistiam em viagens e jogos de golfe com a presença dos CEO’s e diretores. Geralmente pouco se discutia sobre trabalho, no entanto, esses encontros serviam para estreitar a relação entre eles e políticos e bancários influentes. Assim, essa ferramenta serviu tanto para o publico interno, quanto externo.


·         Email corporativo

Por meio dessa ferramenta a Enron se comunicava com seus colaboradores.
·         Streaming (fluxo de mídia) 
Utilizou essa ferramenta para armazenar o entretenimento na sua rede global de banda larga, avançando e gerando mais lucro para empresa;


·         Comunicado de Imprensa

 A Enron anunciava os rendimentos dos lucros. Um exemplo: “Rendimentos sólidos para o segundo trimestre de 2000. O negócio está em crescimento – ganhando força. Os lucros excedem as expectativas, nunca em melhor forma, muito entusiasmado com o futuro.”


·         Disponibilizou no seu site a "Sala de Imprensa" 

A ferramenta disponibilizava informações sobre seu passado e o presente a fim de se esforçar para devolver o dinheiro dos credores inocentes da empresa e também passar a imagem de uma empresa "transparente".


·         Implementou no em 2000 a "Enron Broadband Services

Promovendo para os clientes uma fonte de serviços e telecomunicações para que se sentissem ouvidos, importantes, parte integrante da empresa.


·         Por meio de conferências os CEO's se comunicavam

A Enron fazia conferências em grandes auditórios nas próprias instalações da empresa. As conferências eram sempre um bastante teor de descontração. Essa ferramenta era utilizada, também, para expor resultados da empresa. Em algumas conferências eram entregues até prêmios aos funcionários e coligados externos.  

 Todas as ferramentas utilizadas foram aplicadas de forma adequada no processo da empresa até a queda do “castelo de carta”, pois por 16 anos a Enron sustentava-se com suas finanças que haviam sido sonegadas por meio de práticas contábeis subjetivas e outros esquemas ilícitos. Por muito tempo, o resultado das suas manipulações financeiras foi eficaz, mas era uma utopia achar que uma empresa de tamanho gigantesco sustentada em mentiras e falcatruas, sem um mínimo de ética nunca viria a cair por terra, uma vez que seus números não batiam, as contas não fechavam.
As ferramentas foram muito bem aplicadas, não é a toa que ficou tanto tempo em atividade sem que nada fosse percebido, mas, as mesmas ferramentas que por tantos anos foram colaboradoras do sucesso se tornaram inimigas no momento em que algumas delas se tornaram provas de fraudes cometidas pela Enron.

 

Habilidades e Teorias



O documentário demonstra como eram estabelecidas as habilidades em seus públicos internos. A habilidade conceitual era representada pelos CEO’s e diretores, lidando com ideias e conceitos, influenciando os demais ao seu redor, analisando, diagnosticando e preparando a empresa para situações futuras. A alta cúpula da Enron, não exerceu essa habilidade com eficácia, já que usou de má fé a confiança conquistada. A habilidade humana era representada pelos gerentes e supervisores financistas, lidavam diretamente com os corretores analisando e compreendendo suas atividades, estimulando-os a exercer um trabalho cada vez mais eficaz. Os corretores por sua vez, representam a habilidade técnica, realizando as operações pertinentes a seu oficio.

É possível perceber que, das quatro teorias estudadas, ao menos uma característica podemos encontrar no modelo de administração da Enron. Vejamos:

Teoria da administração cientifica Taylor
     Teoria caracterizada pela abordagem a nível operário (não empresarial), fragmentação de tarefas e produção em massa (padronização, racionalização do trabalho e movimento ordenado do produto). Essa teoria não foi aplicada diretamente pela Enron, mas sim pelos terceirizados de finanças e construtoras.

Teoria Clássica de Fayol
   O planejamento, a organização, direção e controle foram aplicados de maneira superficial, pois, as técnicas contábeis utilizadas não permitiam o controle futuro diante de sua subjetividade. No entanto, as funções administrativas eram bem delimitadas.

Teoria burocrática de Weber
     O tipo de relação de autoridade utilizado era o Racional-legal. No entanto, a autoridade carismática pode ser exemplificada no documentário, quando cita sobre o cargo de Embaixador da Desregulamentação transmitido para Ken Lay por George W. Bush pai, já havia uma relação de negócios e cumplicidade politica entre si, levantando a suspeita de troca de favores.

Escola das Relações Humanas de Mayo
     O foco no colaborador em si também é uma característica presente na administração da companhia, pois os superiores estimulavam o ego de seus funcionários. No entanto, utilizavam do próprio poder para direcioná-los – e porque não dizer obriga-los – a investirem seus rendimentos dentro da Enron e em nenhuma outra empresa a mais. Outro fator que se opõem  da teoria da Escola das Relações Humanas é o método de verificação de potencial que foi inserido na empresa, o CRP Comitê de Revisão da Performance, que levanta a teoria da lei do mais forte, o funcionário era obrigado a derrubar o outro para permanecer e crescer na Enron.

 

Analisando o caso Enron pelo prisma de Gestão


Ao analisar o histórico Enron podemos enxergar como ela conseguiu construir esse império, como ela fez para conquistar a confiança irrefutável de seus públicos.
Erguida pela fusão entre a HNG (Houston Natural Gas) e Internorth (Nebraska), criando um banco de gás natural, ideia inovadora na época - já que a situação sócio politica estava marcada pelo inicio da desregulamentação de energia -, a Enron toma dimensões extraordinárias nos negócios de distribuição de gás natural nos EUA e Reino Unido. Sua grandeza inicial possibilitou aos seus superiores a criação de varias vertentes no mundo dos negócios: Enron Finance Corp., Enron On line e Enron Oil, por exemplo. Adotou o método radical de seleção interna, o CRP (Comitê de Revisão da Performance) onde os próprios funcionários avaliaram uns aos outros e como resultado 10% anual do quadro de funcionário era demitidos, fator de estimulo de competitividade.
Dirigida por profissionais renomados, de competências academicamente comprovada, não havia motivos para não confiar nos negócios dessa empresa. Sua imagem transmitia segurança àqueles que visavam participar da equipe, eles estimulavam seus funcionários com bônus, remunerações, apimentando a competitividade interna. Os resultados positivos eram recorrentes, até mesmo quando sua estimativa evidenciava o contrario. Essa mega carga de resultados positivos foi um dos pontos de duvida em relação à estabilidade da Enron, de onde saia o dinheiro da Enron se o mercado não era favorável a seus ganhos? Como se justificava seus lucros? Não havia justificativas para a maioria das perguntas que começaram a surgir.
Apesar de ter se tornado a 7° maior empresa em receita, de ter recebidos prêmios de reconhecimento de inovação, a Enron era um castelo de cartas. Ao falir levou consigo, a vida que seus funcionários, acionistas e investidores tinha lhe depositado. A Enron não poderia utilizar dos princípios contábeis “mark to market” e posteriormente VHF (valor hipotético futuro), sem denunciar a verdadeira situação financeira da empresa. São métodos subjetivos e claramente colocaria a empresa em situação de risco.
A ambição e o deslumbre que os lucros da Enron proporcionaram aos seus CEO’s afundou todo o mundo que eles construíram nos EUA, agiram de forma inconsequente e irresponsável, sem compromisso social.
A década que a Enron foi erguida, foi marcada por um período de pós-recessão, caracterizado pelo lento crescimento econômico, de investimentos e baixos salários. No entanto foi intercalada por momentos opostos a essa situação negativa. Foi a maior contribuinte para a campanha presidencial de George W. Bush, mostrando a mais estreita e forte relação entre empresa e família presidencial da historia. Foi George W. Bush pai que ajudou a garantir subsídios governamentais para a Enron Internacional e ajudou a promover Ken Lay para embaixador da desregulamentação.
O colapso da Enron provocou uma forte crise econômica, perda da confiabilidade no mercado de capitais, o desemprego de vinte mil pessoas, assim como inúmeros empregados que perderam tudo no fundo de pensão da Enron.


Valores: "Comunicação, respeito, integridade e excelência".


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Gatekeeper

Os estudos sobre os gatekeepers ("guardiões do portão") analisam o comportamento dos profissionais da comunicação, de forma a investigar que critérios são utilizados para se divulgar ou não uma notícia. Isso porque estes profissionais atuariam como guardiões que permitem ou não que a informação "passe pelo portão", ou melhor, seja veiculada na mídia. A decisão de publicar algo ou não publicar depende principalmente dos acertos e pareceres entre os profissionais, que estão subordinados a uma cultura de trabalho ou uma política empresarial e ainda aos critérios de noticiabilidade. E que não raro exclui o contato com o público.
Gatekeeper que é responsável por filtrar os inputs e outputs para que o comportamento organizacional é pautado a partir dos inputs trazidos pelos seus espectadores.
No Filme: Na própria Enron a função de Gatekeeper era feita de forma fraudulenta, pois as informações eram usadas de forma com que o beneficio fosse somente à empresa. Além de factoides e informações manipuladas. 

Outras teorias no filme
 

Newsmaking


Segundo Mauro Wolf, o conceito de newsmaking diz respeito ao profissional jornalista que dentro da empresa atua como editor. É aquele que é responsável pela configuração final da página (quando no jornal impresso) ou da sequência das notícias, bem como daquelas que serão manchetes. É um sujeito que fabrica a realidade porque, tendo incorporado os critérios universais de seleção daquilo que distingue fatos de acontecimento, vai selecionar de acordo com a seleção já determinada pelas agências de notícias. O editor - que é um gatekeeper ao selecionar - fabrica o que vai ser notícia. O jornalismo de massa, ou o jornalismo produzido pela indústria cultural, é um jornalismo que serve aos interesses do capital e é produzido para reproduzir comportamentos e não para informar, no sentido que esperava-se do jornalismo. Isto porque quem mantém um jornal, geralmente está ligado a interesses comerciais de alguma empresa, grupo econômico, ou também tem relações implícitas com o Estado ou representantes de elites econômicas.
No Filme: O documentário trouxe diversas matérias de jornais da época em que o caso veio a tona. Quando este foi evidenciado pela impressa, a Enron era o assunto mais vendido, as noticias relacionadas à Enron pautavam a forma que as outras notícias estariam dispostas nos diversos meios da imprensa

Outras teorias no filme
Hipodérmica | Persuasão | Crítica | Culturológica | Agendamento | Gatekeeper
 

Teoria do Agendamento


Essa teoria pressupõe que as notícias são como são porque os veículos de comunicação nos dizem em que pensar como pensar e o que pensar sobre os fatos noticiados.
A teoria do agendamento defende a ideia de que os consumidores de notícias tendem a considerar mais importantes os assuntos veiculados na imprensa, sugerindo que os meios de comunicação agendam nossas conversas. Ou seja, a mídia nos diz sobre o que falar e pauta nossos relacionamentos.
No Filme: O foco se encontra no Caso Enron e suas mais diversas vertentes, evidenciando a teoria do agendamento, pois o objetivo é que nós, como leigos em assuntos econômicos, passamos entender o caso, ou seja tudo que se passa no documentário guia nossa atenção para o Caso Enron.


Outras teorias no filme

 

Teoria Culturológica


Estuda os mitos criados a partir da mídia que se caracterizam pela exposição na grande mídia, de modelos (arquétipos) que influenciam a grande massa. Esses mitos são construídos a partir da exposição na própria mídia, como: televisão, Rádio, Internet, revista, jornais e novelas, tornando-se celebridades e atingindo o público, ou seja, a grande massa.
Portanto, as principais características da Teoria Culturológica estão diretamente relacionadas a tudo aquilo que a massa assimila, toma gosto e absorve a partir do que é apresentado constantemente na mídia.
No Filme: O documentário, como uma forma de produção de cultura, é um objeto de estudo da própria teoria. Pois, a partir do interesse pelo assunto e suas vertentes, a Enron no caso, tudo que é e será exposto na mídia é absorvido por nós que tomamos gosto e assimilamos a nossa realidade. 

Outras teorias no filme
 

Teoria Crítica


Em seu aspecto geral, pode-se afirmar que a Teoria Crítica está baseada numa interpretação ou abordagem materialista - de caráter marxista e multidisciplinar (porque agrega contribuições de várias ciências: sociologia, filosofia, psicologia social e psicanálise) - da sociedade industrial e dos fenômenos sociais contemporâneos.
A teoria crítica trata ainda da transformação da cultura como mercadoria, sua serialização e padronização. Considera também cultura de alienação.
O conceito de indústria cultural é um ícone na teoria crítica da comunicação. Ela tem uma concepção negativa da mídia, por achar que a mídia aliena e manipula. Para a teoria crítica os meios de comunicação de massa servem como ferramentas de manipulação do pensamento coletivo.
No Filme: Por se tratar de um meio de massa, um filme, sua intensão em relação à manipulação do pensamento racional acontece de forma positiva, pois se trata da evidência de fato fraudulento. O documentário não tem a intenção de alienar. 


Outras teorias no filme
 

Teoria da Persuasão


Baseada em aspectos psicológicos e defende que a mensagem enviada pela mídia não é assimilada imediatamente pelo indivíduo, dependendo de várias perspectivas individuais. Essa Teoria não seria de dominação ou manipulação como a Hipodérmica e sim de persuasão, pois o indivíduo tende a se interessar por informações que estejam inseridas em seu contexto e com as quais ele esteja de acordo.
No Filme: O filme usa das próprias técnicas para persuasivas levando em conta o psicológico quando nos faz despertar certos sentimento, como foi citado acima.
Dentro da própria empresa os seus CEOs utilizavam desta teoria quando influenciavam os próprios funcionários à compra de ações na bolsa de valores a partir de falsos balancetes que sempre mostrava que a Enron lucrava muito.
E no documentário, quando o mesmo evidencia as fraudes da Enron nos influenciando à uma formação de opinião desfavorável sobre a imagem da empresa.

Outras teorias no filme
 

Teoria Hipodérmica


Essa teoria considerava "cada elemento do público pessoal e diretamente atingido pela mensagem" (Wright, 1975). O modelo hipodérmico pode ser descrito como sendo a "teoria da propaganda sobre a propaganda".
Principais elementos: a novidade do próprio fenômeno das comunicações de massa e por sua ligação às trágicas experiências totalitárias. A Teoria hipodérmica é uma abordagem global aos meios de comunicação de massa.
A síntese dessa teoria é que cada indivíduo é diretamente atingido pela mensagem veiculada pelos meios de comunicação de massa, ou seja, existe uma concepção de onipotência dos meios, e de efeitos diretos. Sua preocupação básica é justamente com esses efeitos.
No Filme: No documentário essa teoria, em realidade, acontece de forma externa, a partir da concepção de nós próprios espectadores. O caso abordado no documentário desperta sentimentos de repulsão, em relação à organização, e indignação em detrimento aos atos corruptíveis cometidos pela empresa.

Outras teorias no filme
 

O caso e seus Aspectos

           
Baseado na obra “The Smartest Guys in the room” de Bethany McLean e Peter Elkind. O documentário “Enron: O mais espertos da sala” concorreu ao Oscar de melhor documentário em 2006, perdeu para “A Marcha dos Pinguins”.
O caso Enron, ocorrido nos Estados Unidos entre 1990 e o início do século XXI. Utilizando-se de esquemas fraudulentos em sua contabilidade que inflavam o potencial da empresa e de seus projetos nos Estados Unidos e em outros países, dando a ela visibilidade pública grandiosa a ponto de torná-la a mais rentável entre todas as possibilidades de investimento nas bolsas de valores nos EUA, a Enron se tornou um colosso de crescimento.
Poucas eram as pessoas que sabiam da alteração dos balancetes da empresa e das negociatas políticas em que a empresa estava envolvida. Seus principais executivos tornaram-se num curto espaço de tempo celebridades do mundo executivo local. A lucratividade da instituição foi tão grande que surgiram vários interessados em associarem-se a ela em projetos nas mais diferentes regiões do planeta.
Planos fracassados nas mãos de outras empresas foram comprados pela Enron e logo se tornaram lucrativos projetos. Ninguém conseguia entender ao certo, mas a mídia escrita, televisiva, radiofônica e mesmo a internet não paravam de destacar o sucesso da Enron, alardeando que a empresa representava tudo o que havia de mais moderno e qualificado em termos de moderna gestão de empreendimentos.
Estavam sendo ludibriados o tempo todo. E aqueles poucos que levantavam suspeitas a respeito do sucesso da Enron logo eram chamados de invejosos e de arautos do fracasso.
O documentário passa pela formação da companhia texana de energia nos anos 80 e perfil dos envolvidos para entender nascimento da mesma e como se tornaria uma ilusão de sucesso. O segredo estava na desregulamentação da indústria. Esse termo é usado pelos defensores do mercado como um mantra - significa que o Estado não interferirá com normas e restrições no livre-comércio. No caso da Califórnia, por exemplo, revendedores de energia, como a Enron, poderiam elevar o preço como quisessem, enquanto as distribuidoras, aquelas que lidam direto com o consumidor, sofriam o limite de tarifas imposto pelo governo estadual. O ápice desse desequilíbrio de regulamentação foi o famoso blecaute de 2001, mas disso falamos depois. O fato é que a Enron estava no lugar certo, na hora certa, não por acaso - a Era de Ouro dos neoliberais.
Muitas pessoas estiveram ligadas a esta história quando a então gigante de revenda de energia e gás, a maior dos Estados Unidos, entrou em um processo que levou a sua falência a partir do segundo semestre de 2001. O mundo ficou pasmado. Nos anos 90 poucas empresas de capital aberto na Bolsa de Valores de Nova York tinham ações tão caras quanto as da Enron. Seu slogan era “Ask Why” (Pergunte por que), sugerindo que a companhia não temia ultrapassar fronteiras, quebrar mitos. Acionistas investiam às cegas, funcionários eram incentivados a aplicar suas poupanças em ações da casa. Acontece que ninguém questionava o porquê do sucesso da Enron.
Claro que um par de boas relações era necessário para lubrificar a engrenagem. Ken Lay, o fundador da empresa, tinha relações muito próximas do então presidente George Bush e seu filho, George Walker Bush, na época governador do Texas. O filme reserva algumas imagens de arquivo, extraídas de vídeos da própria companhia, para ilustrar a amizade pretensiosa. Acontece que o grande salto de Lay e seus executivos  (os tais caras geniais, os mais espertos, promissores e ambiciosos na faculdade) não se deu com mamatas políticas, mas com brechas no próspero mercado de capitais estadunidense.
O filme de Gibney trata tudo isso de forma didática. Não escapa do economês, mas consegue ilustrar o caso para os leigos. A base da pesquisa é sólida, inspira-se no livro  dos jornalistas Bethany McLean e Peter Elkind.

Aspectos Sociais
  • Demissão dos empregados da Enron, levando em conta que os mesmo saíram da empresa praticamente sem dinheiro em função da falência; 
  •                                  Prejuízo a sociedade americana em função dos blackouts;
  •                      Sentimento de repulsa da população estadunidense.
Aspectos econômicos:
  •          Influência da concordata da Enron na crise econômica americana;
  •          Manipulação das receitas;
  •          Fraudes em parceria com Bancos Estadunidenses, para valorizar as ações da Enron;
Aspecto Político:
  •        Envolvimento direto com George W Bush;
  •        Ken Lay foi instituído ao cargo de embaixador da desregulamentação, por Bush;
Aspecto Tecnológico:
  •          A existência de um programa The Matrix nos computadores da empresa cuja a finalidade era calcular o custo ou o ganho para a empresa de qualquer mudança nas leis e nos regulamentos do setor que afetasse seus interesses.